Da redação
A demógrafa, matemática e estatística Elza Salvatori Berquó morreu aos cem anos. Considerada pioneira da demografia no Brasil, Berquó foi a primeira mulher homenageada com o título de doutora honoris causa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ao receber a honraria, afirmou: “Jovens, continuem a estudar e continuem a luta pela democracia”.
Berquó teve papel fundamental na fundação de instituições como o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em 1969, e o Núcleo de Estudos de População (Nepo), da Unicamp, inaugurado em 1982. Segundo declaração à revista da Fapesp em 2017, seu interesse crescente pelos determinantes sociais, econômicos, culturais e políticos levou à escolha da demografia como campo de atuação.
Durante a carreira, Berquó coordenou pesquisas importantes sobre fecundidade das mulheres no Brasil. Em estudo conduzido com outras demógrafas e o economista Paul Singer, na cidade de São Paulo, foi registrada pela primeira vez a queda na taxa de fecundidade das paulistanas. Ela atribuiu esse fenômeno a fatores como métodos contraceptivos e à “revolução das telecomunicações”, que transmitiu novos valores por meio da televisão.
Filha de um funcionário dos Correios, Berquó nasceu em Guaxupé, Minas Gerais, em 17 de outubro de 1925. Formou-se em matemática pela Pontifícia Universidade Católica, trabalhou na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo e concluiu doutorado em bioestatística nos Estados Unidos. Sua trajetória incluiu ainda a criação do Centro de Estudos de Dinâmica Populacional e o desenvolvimento do conceito de “pirâmide da solidão”, analisando desigualdades de gênero nos relacionamentos.




