Da redação
Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados e pré-candidato a deputado federal pelo Republicanos, realiza a aquisição de emissoras de rádio em cidades do interior de Minas Gerais como estratégia para retornar à Câmara. Segundo a emissora 89 Maravilha FM, que integra sua rede, a cada inauguração o evento conta com a presença de um advogado, um pastor e um político local, geralmente o prefeito.
De acordo com informações da rádio, até o mês passado já haviam sido abertas frequências em 32 cidades, com a alegação de alcançar 500 municípios, embora Minas Gerais tenha 853. Nas transmissões ao vivo, Cunha adota posição incisiva e declara apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Durante inauguração em Pouso Alegre, ele comentou sobre a vitória da seleção brasileira na Copa do Mundo e o “caso Master”, minimizando a relação de Flávio com Daniel Vorcaro e criticando o envolvimento do senador Jaques Wagner (PT-BA).
Segundo investigação da Polícia Federal, Cunha destinou emendas parlamentares a 29 municípios mineiros em nome da liderança do Republicanos na Câmara, contemplando apenas três cidades governadas pelo partido. À Folha, declarou que o critério de escolha não foi partidário, mas o atendimento a pedidos locais. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou o bloqueio de R$ 6,15 milhões em bens de Cunha, valor que a Polícia Federal atribui a repasses de sua responsabilidade.
Cunha busca articulação própria em Minas Gerais e tem sido visto com prefeitos, vereadores e pré-candidatos, além de visitar igrejas evangélicas. Euclydes Pettersen, presidente do Republicanos em Minas, afirma não ter poder para barrar a pré-candidatura e minimiza disputas internas. A chegada de Cunha à política mineira também causou tensão em outros partidos e retomou sua ligação com o setor de rádios, onde já atuou como sócio no Rio de Janeiro.




