Da redação
O pacote com 34 medidas para flexibilização das regras de venda de armas nos Estados Unidos, apresentado pelo governo de Donald Trump, deve facilitar o acesso de facções criminosas brasileiras a armamento pesado. Especialistas em segurança pública ouvidos apontam que entre as propostas do Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos dos EUA estão a permissão para compra de armas pelos correios, a redução no tempo de manutenção de registros de vendas e critérios menos rigorosos para consulta de antecedentes de compradores.
De acordo com Bruno Langeani, consultor sênior do Instituto Sou da Paz, essas alterações “certamente facilitam o acesso das facções brasileiras a essas armas”. Segundo Langeani, armas desmontadas, cujas peças são vendidas sem controle nem registro, tornam o envio para o exterior menos perceptível pelas alfândegas, especialmente quando encaminhadas pelos correios. O consultor ressalta ainda as dificuldades para identificar esses componentes mesmo em inspeções por raio-x.
Segundo estudo divulgado no Journal of Illicit Economies and Development, do Reino Unido, entre 2019 e 2023, 54% dos 1.700 fuzis ilegais apreendidos no Sudeste brasileiro tiveram origem nos Estados Unidos. Os pesquisadores Bruno Langeani e Natalia Pllachi afirmaram que “isso coloca os EUA na primeira posição como país de origem de fuzis ilegais, um recurso decisivo para sustentar e expandir o crime organizado”.
No cenário internacional, 80% das armas apreendidas com cartéis de drogas no México vieram dos Estados Unidos. No Haiti, a Organização das Nações Unidas estima que a maior parte das armas das gangues de Porto Príncipe tem origem norte-americana. Pesquisa da Universidade de Harvard envolvendo o Caribe aponta que, de 2018 a 2022, 73% das armas de fogo apreendidas procediam dos Estados Unidos.




