Da redação
O estudante Gabriel Sales, da Universidade Federal Fluminense, desenvolveu um aplicativo chamado IA Libras, que utiliza inteligência artificial para reconhecer a Língua Brasileira de Sinais e traduzi-la em tempo real para texto e áudio em português, acessível por celulares ou computadores. O projeto conquistou um prêmio internacional no Swift Student Challenge, competição anual promovida pela Apple para estudantes desenvolvedores.
Sales afirma que a inspiração veio ao ter aulas com uma professora surda e conhecer as dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência auditiva. Ele utilizou conhecimentos de programação e inteligência artificial para criar uma solução que dispensa equipamentos especiais, operando apenas com a câmera de dispositivos comuns. O aplicativo capta movimentos em Libras, processa com algoritmos de visão computacional e modelos treinados de inteligência artificial, oferecendo tradução automatizada e recursos de aprendizado da língua.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, milhões de brasileiros convivem com deficiência auditiva. Embora a Libras tenha reconhecimento oficial por lei desde 2002, a escassez de intérpretes em serviços públicos e privados persiste. Especialistas avaliam que soluções como o IA Libras têm potencial para ampliar a autonomia de pessoas surdas em situações do cotidiano, mas ainda não substituem intérpretes humanos em contextos mais complexos.
No Brasil, outros projetos semelhantes seguem em desenvolvimento. Pesquisadores do Instituto Federal de São Paulo apresentaram o TradiLibras, enquanto o LibrasCam utiliza plataformas como OpenCV, MediaPipe e TensorFlow para reconhecer gestos e converter sinais em texto. Nos últimos anos, avanços com redes neurais profundas e visão computacional têm aumentado a precisão no reconhecimento da Libras, reduzindo barreiras de comunicação para a comunidade surda.




