Da redação
Alvenice Dias, agricultora de 61 anos, percorre pelo menos 141 quilômetros, duas vezes por semana, para vender tomates, pimentões, pepinos e alfaces nas Centrais de Abastecimento do Distrito Federal, dirigindo sozinha seu caminhão. Ela afirma: “Autoestima, para mim, é ganhar o dinheiro suado, fruto do meu trabalho, sem depender de homem algum. Na lavoura e na estrada, o que não me falta é coragem”.
Nice, como é conhecida, enfrenta jornadas começando às 2h, descarregando produtos no DF e em Planaltina, mesmo sob vendas fracas e forte concorrência. Segundo ela, apesar de preconceitos e assédio nas estradas, o trabalho árduo permitiu pagar a faculdade dos seis filhos e conquistar independência financeira após o fim de seu casamento.
O crescimento da participação feminina no setor de transportes acompanha recentes avanços: o número de mulheres motoristas profissionais no DF alcançou 69,4 mil, aumento de 154,17% em relação a 2021, conforme o Ministério dos Transportes. De acordo com a psicóloga Carla Antloga, a entrada dessas mulheres ocorre tanto pela falta de mão de obra masculina quanto pela busca de autonomia, embora persistam desafios como assédio e infraestrutura inadequada.
Além de Nice, motoristas como Rebeca Mendes destacam a necessidade de equilíbrio entre trabalho e família, citando flexibilidade, mas também sobrecarga. Estudos do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento indicam que mulheres, ao volante, apresentam índices significativamente menores de acidentes, evidenciando prudência nas estradas. Ione da Silva, há 20 anos conduzindo ambulâncias do Samu, também relata enfrentar desconfiança de colegas homens no início da carreira.





