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Alckmin rejeita retaliação aos Estados Unidos e reforça estratégia de negociação diante do tarifaço

Por Alex Blau Blau

Vice-presidente afirma que o Brasil buscará diálogo para reduzir impactos da tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos e avalia medidas para proteger os setores atingidos

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo federal não pretende responder com medidas de retaliação imediata à tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras, que começou a valer nesta quarta-feira. Segundo ele, a prioridade continua sendo a busca por uma solução negociada entre os dois países.

Durante encontro com representantes de setores exportadores, Alckmin destacou que a Lei da Reciprocidade Comercial permanece como um instrumento disponível ao Brasil, mas ressaltou que sua utilização dependerá de avaliação do governo federal e das orientações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao defender uma saída diplomática, o vice-presidente afirmou que uma escalada de medidas entre os dois países pode trazer prejuízos para ambos. Na avaliação dele, o caminho mais adequado é preservar o diálogo e buscar alternativas capazes de reduzir os impactos sobre a economia brasileira.

Além das negociações com o governo norte-americano, o Executivo informou que trabalha para ampliar mercados internacionais destinados aos produtos brasileiros e estuda ações de apoio aos segmentos que poderão sofrer maiores perdas com a nova política tarifária.

A Lei da Reciprocidade Comercial autoriza o Brasil a adotar medidas equivalentes quando houver barreiras consideradas unilaterais contra produtos nacionais, mas o governo sinaliza que a prioridade, neste momento, continua sendo uma solução construída por meio das negociações.

As tarifas anunciadas pelos Estados Unidos decorrem de uma investigação comercial conduzida pelas autoridades norte-americanas. Apesar das tentativas de entendimento entre os dois governos, as tratativas não impediram a entrada em vigor da medida.

Mesmo com a nova cobrança, diversos produtos estratégicos foram excluídos da lista de taxação por serem considerados importantes para o abastecimento e para a indústria dos Estados Unidos. Entre eles estão café, carne bovina, peixe, terras raras e laranja.

Por outro lado, passam a ser atingidos segmentos como máquinas e equipamentos industriais, componentes para veículos, ferramentas, calçados, vestuário, papel, etanol, açúcar orgânico, molduras de madeira, celulose de dissolução destinada a usos não farmacêuticos e parte dos produtos químicos empregados em diferentes atividades industriais.

A expectativa do governo brasileiro é que as negociações diplomáticas avancem nas próximas semanas, enquanto são avaliadas medidas para reduzir os efeitos da nova tarifa sobre a produção nacional e preservar a competitividade das exportações brasileiras.