Da redação
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos concluiu a investigação sobre a queda da aeronave PS-VPB, da Voepass, em Vinhedo, interior de São Paulo. O acidente provocou a morte de 62 pessoas, incluindo quatro tripulantes. O órgão apontou falhas no sistema, revisões mecânicas insuficientes e uma cultura de não reportar problemas como fatores contribuidores.
De acordo com o Cenipa, foram identificados 19 fatores contribuintes, com destaque para a recorrência de alertas de gelo ignorados em voos anteriores da mesma aeronave, inclusive no trajeto que terminou no acidente. O investigador-encarregado, tenente-coronel Fróes, declarou que tripulações diferentes normalizavam desvios de procedimento, indicando um padrão organizacional.
As apurações revelaram que detecções de gelo e falhas no sistema de remoção não eram registradas em livro de bordo. Também ficou constatado que manutenções não cumpriam os requisitos de segurança. Segundo relatos de mecânicos, havia troca de componentes defeituosos entre aeronaves, prática irregular conforme o órgão.
O sistema da aeronave alertou várias vezes para acúmulo de gelo durante o voo de Cascavel para Guarulhos. O degelo apresentou falha e foi desligado pelos pilotos, sem os procedimentos corretos recomendados e sem descida para níveis mais baixos. Além disso, uma pane nos limpadores de para-brisa deveria ter impedido a operação naquele momento. Conforme o Cenipa, a combinação dos fatores levou à perda de controle do ATR-72 212A, que entrou em rotação antes da colisão.





