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Judiciário é principal alvo de críticas a penduricalhos por esquerda e direita, aponta relatório


Da redação

Críticas aos chamados “penduricalhos” lideraram as discussões sobre o funcionalismo público em redes sociais, concentrando insatisfação no Judiciário e reunindo consenso entre diferentes espectros políticos. Segundo relatório do Observatório Lupa, a maior parte das menções envolve insatisfação com supersalários e foi impulsionada por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, que limitou remunerações acima do teto constitucional.

O levantamento analisou aproximadamente 935 mil publicações sobre funcionalismo em redes sociais e aplicativos de mensagem, das quais 47,2% abordaram penduricalhos, somando 442 mil menções. Dentre essas, 439 mil são posts e 3.500 mensagens analisadas com uso das ferramentas Meltwater e Open Measure. De acordo com Beatriz Farrugia, pesquisadora da Lupa, as redes funcionam como vitrines públicas, enquanto aplicativos de mensagem atuam como espaços fechados, comparáveis a clubes privados.

O relatório identificou duas grandes narrativas em circulação. Nas redes sociais, prevalece a crítica transversal aos privilégios do funcionalismo, com condenação tanto à elite pública quanto aos chamados penduricalhos, independentemente da posição política dos usuários. Já nos aplicativos de mensagem, além da reprovação, é comum responsabilizar o governo federal, especialmente o governo Lula, por suposta ampliação e tolerância aos penduricalhos, apontando uma instrumentalização partidária do debate.

Outros dados do relatório mostram que Judiciário e Congresso são frequentemente identificados como castas alheias à realidade. Termos como Flávio Dino, STF, Brasil, Judiciário, Congresso, Conselho Nacional de Justiça, teto constitucional, licença compensatória e dinheiro público figuram entre os mais citados. Segundo Beatriz, aplicativos de mensagem servem de espaço para testar narrativas políticas que tendem a surgir durante campanhas eleitorais.