Da redação
O número de espécies exóticas de moluscos encontradas no Brasil cresceu de 26 para 82 nos últimos 15 anos, de acordo com o primeiro inventário nacional sobre esses organismos. Segundo a pesquisa, 20 dessas espécies são consideradas invasoras, entre elas o mexilhão-dourado e o caramujo-africano. O levantamento inclui espécies terrestres, de água doce e marinhas.
O estudo foi publicado em abril na revista Biological Invasions e liderado por Fabrizio Marcondes Machado, do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas, com participação de cientistas de várias instituições. Para Marcel Sabino Miranda, pesquisador do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, “observamos uma taxa acelerada de introdução de moluscos não nativos no Brasil e lacunas persistentes no conhecimento taxonômico e ecológico dessas espécies”.
Os pesquisadores apontam a necessidade urgente de fortalecer medidas de biossegurança, melhorar a detecção precoce e criar programas de monitoramento ambiental de longo prazo. Miranda destaca: “algumas espécies são bem problemáticas, como o mexilhão-dourado e o caramujo-africano, mas a maioria não sabemos se está causando algum dano ou pode vir a causar”.
Entre os antecedentes históricos, o estudo cita o caso do mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei), que chegou ao Brasil provavelmente no início dos anos 1990 e já motivou investimentos estimados em US$ 10 milhões em controle. Também aborda a introdução do caramujo-africano (Lissachatina fulica), originalmente destinado ao consumo, mas atualmente disperso pelo território e classificado como praga agrícola e hospedeiro de parasita. O levantamento inclui ainda 13 espécies de origem indefinida, denominadas criptogênicas, e detalha a classificação dos moluscos segundo critérios do Ministério do Meio Ambiente e da União Internacional para a Conservação da Natureza.





