Da redação
A intensificação do fenômeno El Niño deve colocar o calendário agrícola no centro das atenções dos produtores rurais, uma vez que a distribuição das chuvas, mais do que o volume total, poderá determinar o desempenho das lavouras, segundo estudo da IMBR Agro baseado em projeções do Oceanic Niño Index (ONI), da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), e dados climáticos do sistema ERA5.
De acordo com o levantamento, 20 das 27 unidades da federação tendem a registrar chuvas abaixo da média histórica no período entre julho de 2026 e abril de 2027, com déficits concentrados especialmente nas regiões Norte e Nordeste. O Sul repete o padrão dos anos de El Niño, com precipitações acima da média. O Pará deve ter redução de 459 milímetros em relação à média histórica, seguido por Roraima, com menos 395 milímetros, e Maranhão, com queda de 313 milímetros. Em contraste, o Rio Grande do Sul pode registrar 542 milímetros acima da média, Santa Catarina 433 milímetros e Paraná 383 milímetros.
O estudo aponta que o momento das chuvas será determinante para o sucesso ou fracasso das safras. No Centro-Oeste, a redução prevista durante a semeadura é de 48 milímetros, apesar de um excedente de 165 milímetros no total. Já no Sudeste, o déficit chega a 99 milímetros nas fases sensíveis das culturas, mesmo com saldo positivo no acumulado. Segundo os autores, a avaliação baseada apenas na precipitação anual pode mascarar riscos relevantes em cultivos como soja, café e cana-de-açúcar.
A análise também destaca que todas as regiões do país devem registrar temperaturas acima da média, com desvio nacional de 0,47°C. Os maiores desvios são projetados para Roraima, Pará e Rondônia. O mês de novembro concentra o pico de anomalias, tanto térmicas quanto hídricas. Segundo os responsáveis pelo levantamento, a integração de dados climáticos, calendário agrícola e participação econômica das culturas tem o objetivo de orientar o planejamento da safra 2026/27 e o mercado de seguros rurais.





