Da redação
A Polícia Federal acionou a Advocacia-Geral da União contra medidas do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça que aumentaram o controle do caso que investiga supostas fraudes nos descontos do Instituto Nacional do Seguro Social. As investigações envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT). A PF solicita que a AGU busque solução judicial para reverter a decisão do ministro, que determinou o encaminhamento imediato de todos os atos da apuração ao seu gabinete e exigiu comunicação prévia de qualquer afastamento de policiais da equipe.
Segundo pessoas com acesso à cúpula da corporação, as medidas são vistas como intromissão do magistrado na gestão das equipes e violação das competências da PF. Alguns investigadores afirmam, sob anonimato, que Mendonça deveria formalizar suspeitas de perseguição ou imparcialidade no processo, em vez de agir com base em desconfianças.
No contexto da Operação Sem Desconto, as quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático de Lulinha foram autorizadas por Mendonça em fevereiro. Uma das linhas investigativas apura se ele seria sócio oculto de Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como operador central do esquema. Alterações promovidas pela PF, como a retirada do caso da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários e a transferência para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores, também provocaram críticas internas e de setores da oposição.
De acordo com a Polícia Federal, a corporação precisaria de mais de 40 agentes para atender ao prazo dado pelo ministro para concluir a análise de cerca de 1.700 itens apreendidos, estando aproximadamente 40% do material já analisado. A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade atribuída ao investigado. A AGU e o gabinete de Mendonça não comentaram o caso até o momento.





