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Familiares de presos enfrentam rotina de visitas à Papuda com desafios e esperança

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Da redação

Às 5h30 da manhã, mulheres vestidas de branco aguardam na plataforma A da Rodoviária do Plano Piloto o ônibus 111, que as leva até o Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal. A vestimenta é obrigatória para visitas ao presídio, conforme determinação do protocolo de entrada. Os familiares podem entrar nas unidades prisionais a cada duas semanas e levam consigo alimentos permitidos, produtos de higiene e roupas, em encontros limitados a duas horas.

A rotina, segundo relatos, impõe desconforto e julgamento social às visitantes, que preferem trocar de roupa no destino para evitar olhares críticos. Maria Lúcia* afirma: “Eu prefiro ir com uma roupa normal, porque me sinto julgada por estar indo visitar meu filho preso”. Muitas relataram situações de constrangimento durante as revistas, como a obrigatoriedade de trocar absorventes na presença de agentes, além de restrições ao portar moedas ou outros objetos, o que pode até impedir o acesso ao presídio.

O Complexo da Papuda, composto pelo Centro de Detenção Provisória, Centro de Internamento e Reeducação e Penitenciárias I e II do Distrito Federal, abriga cerca de 13.700 detentos, conforme a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária. Apenas na PDF-I, o Relatório de Inspeção Penitenciária de novembro de 2024 apontou superlotação de 136,7% em relação à capacidade. O relatório também registrou um surto de diarreia aguda devido a alimentação contaminada.

No entorno da Papuda, trabalhadoras como Zilda Severo da Silva, de Goiás, oferecem guarda-volumes na entrada por R$ 5, já que a unidade não dispõe desse serviço. Para administrar as dificuldades emocionais e práticas das visitas, mulheres organizam grupos de apoio como o “Guerreiras de Fé”, que reúne 437 participantes para troca de informações e suporte, com regras rígidas de respeito e sigilo entre as integrantes.

\* Nome fictício para preservar a identidade da fonte.