Da redação
O espetáculo dirigido por Rodrigo Portella teve indicações ao Prêmio Shell nas categorias Melhor Dramaturgia e Melhor Iluminação, e ao Prêmio da Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro (APTR) como Melhor Ator e Dramaturgia. A montagem aborda as fronteiras entre vítima e algoz, civilizado e selvagem, para discutir a violência humana.
A temporada em Brasília ocorre com patrocínio da Brasal, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, e produção da Deca Produções, responsável pelo Circuito de Teatro Brasileiro em sua quarta edição. O monólogo parte da premissa de que a violência pode ter origem tanto na natureza humana quanto nas relações sociais. Para Eduardo Moscovis, protagonista, “o que mais me cativou neste texto de Leonardo Netto foi perceber que o protagonista é um homem que tem uma vida correta, pacífica, com quem eu facilmente me identificaria, mas que […] pode se igualar a [um homem vil] ao cometer um ato de extrema violência”.
Leonardo Netto decidiu escrever a peça após assistir a um vídeo de violência em uma rede social, quando passou a questionar os motivos para alguém cometer, filmar, publicar e consumir atos violentos. Segundo Netto, “a espetacularização, a romantização e a banalização da violência, potencializadas pela multiplicação de câmeras e pela internet, talvez nos tornem mais insensíveis a ela”. O autor revela que o processo de escrita foi difícil e que o título funciona como metáfora da iminência do desastre.
Esta é a primeira colaboração entre Moscovis e Portella. Conforme o diretor, a encenação minimalista provoca o espectador a imaginar todo o universo do espetáculo apenas com o discurso do personagem. Elementos criativos como trilha sonora de André Muato, figurino de Gabriella Marra e iluminação de Ana Luzia de Simoni reforçam a proposta de enfatizar a banalidade do evento, evidenciando ainda a polarização ideológica da sociedade brasileira. O texto é assinado por Netto.





