Da redação
As centrais sindicais apresentaram documento ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, com propostas para enfrentar os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O material foi entregue durante reunião em São Paulo. As entidades defendem o fortalecimento da produção nacional, ampliação dos investimentos públicos, fortalecimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e proteção dos empregos.
Segundo as centrais sindicais, é necessário incentivar a busca por novos mercados, adotar políticas de conteúdo local nas compras públicas e aumentar o investimento público em infraestrutura social e produtiva, incluindo setores como transporte, energia, habitação, saúde e educação. O documento prevê ainda que a manutenção dos empregos seja exigência para empresas acessarem programas de socorro. “Diante do agravamento da guerra comercial desencadeada pelas novas medidas protecionistas do governo dos EUA, as centrais sindicais expressam preocupação com os múltiplos impactos sobre a economia nacional, os empregos e a soberania produtiva e política do Brasil”, afirmam as entidades.
Entre as propostas, as centrais sugerem a revisão da Lei de Patentes para combater abusos de propriedade intelectual, fortalecimento do Mercado Comum do Sul (Mercosul), criação de fundos de compensação e programas de transição aos trabalhadores afetados, além do fortalecimento da organização sindical para garantir a negociação coletiva. Segundo as centrais, o desenvolvimento do país deve ter enfoque na proteção ao emprego, no combate à precarização do trabalho e na valorização da renda das famílias.
O documento foi assinado por Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) e Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST). As entidades apoiam as medidas adotadas pelo Brasil em resposta ao tarifaço, bem como a Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado. Na segunda-feira (27), o governo brasileiro encaminhou à Organização Mundial do Comércio (OMC) pedido de consultas aos Estados Unidos, classificando as novas tarifas como “inconsistentes” com o Acordo Geral de Tarifas e Comércio de 1994.




