Da redação
O Ministério Público de São Paulo abriu inquérito para investigar a conduta de policiais militares que entraram armados na EMEI Antônio Bento, na zona oeste da capital, após o pai de uma aluna chamar a Polícia Militar. O episódio ocorreu quando o responsável denunciou um suposto ensino de religião africana após sua filha, de quatro anos, desenhar a orixá Iansã.
Segundo a Promotoria, até o momento não há comprovação de crime que justificasse a ação policial na escola. O órgão considera a diligência “injustificada” e apura possível violação ao direito à educação e à atividade pedagógica. A investigação coleta depoimentos, documentos e imagens das câmeras corporais dos agentes.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que não abrirá inquérito policial militar nem sindicância contra os agentes, pois não identificou indícios de transgressão disciplinar em apuração preliminar. No total, doze policiais, incluindo um que portava fuzil, entraram na unidade escolar; entre eles estava o pai da aluna, identificado pelo governo estadual como soldado da ativa.
Imagens das câmeras corporais mostram discussão entre o tenente responsável pela ocorrência e a diretora, na qual o policial afirmou que a educadora pretendia “ditar sua ideologia”, enquanto ela defendeu que a atividade era baseada no livro infantil Ciranda de Aruanda. Posteriormente, a Polícia Civil indiciou o pai da criança por intolerância religiosa, e uma apuração concluída em junho considerou que os policiais seguiram o protocolo, encerrando a investigação antes da análise integral das imagens.




