Início Brasil Médico do HCFMRP-USP divulga prontuário e debocha de paciente com obesidade

Médico do HCFMRP-USP divulga prontuário e debocha de paciente com obesidade


Da redação

Guilherme Lourenço Monteiro, médico residente de anestesiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFMRP-USP), publicou no X uma foto do prontuário de um paciente com obesidade atendido no hospital, acompanhada de comentários em tom de deboche. Segundo o hospital, o nome do paciente não foi exposto, mas a publicação continha informações como peso, altura e Índice de Massa Corporal, ultrapassando 100 mil visualizações antes de ser retirada.

Procurado por e-mail e pelo Instagram, Monteiro não respondeu. O HCFMRP-USP informou que tomou conhecimento do caso e classificou a atitude como preconceituosa. “Embora não tenha ocorrido exposição de identidade, a publicação é inadequada e não condiz com a postura profissional preconizada por esta instituição. Já estamos tomando providências para que a conduta não se repita”, afirmou o hospital, sem dar detalhes sobre as medidas adotadas ou o status do médico.

Especialistas ouvidos ressaltam que a legislação brasileira e o Código de Ética Médica proíbem divulgar informações obtidas no atendimento, mesmo sem identificação explícita. Conforme a advogada Anna Júlia Goulart, “valores muito fora do padrão, datas exatas de registro e a indicação do hospital reduzem muito o universo de pessoas possíveis”. O advogado Luan Mazzali Braghetta aponta que a Lei Geral de Proteção de Dados considera informações de saúde como dados pessoais sensíveis e classificados como de proteção máxima.

A conduta fere ainda normas do Conselho Federal de Medicina, que proíbe comentários ofensivos e identificação de pacientes em redes sociais, com sanções que vão de advertência à cassação do registro, conforme o Conselho Regional de Medicina. Além das possíveis implicações éticas, o médico pode responder civilmente por danos morais e penalmente por violação de segredo profissional. A instituição e o hospital também podem aplicar sanções, incluindo desligamento do programa de residência.