Da redação
Jurados absolveram os policiais militares Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima da acusação de homicídio qualificado após a morte de Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, em uma residência em Paraisópolis, zona sul de São Paulo. A decisão seguiu o procedimento legal dos tribunais do júri, em que sete cidadãos responderam objetivamente aos quesitos, sem necessidade de justificar seus votos.
O júri reconheceu, conforme gravações de câmeras corporais, que Cruz e Noguchi efetuaram os disparos que atingiram Santos no quarto da casa. A defesa, representada pelo advogado João Carlos Campanini, argumentou que os policiais agiram em legítima defesa, diante de um suposto risco iminente a si mesmos ou a terceiros durante a operação.
Após o veredicto, o Ministério Público recorreu da decisão. Os advogados Gabriela Amoras, Jonatha Carvalho Matos e Wilson Zaska, representantes da família de Santos, afirmaram ser “manifestamente contrária às provas produzidas nos autos” e classificaram o caso como “execução sumária praticada durante uma ação policial ilegal”. Com a absolvição, Cruz e Noguchi, presos há um ano no Presídio Militar Romão Gomes, serão soltos.
De acordo com a denúncia, a perseguição policial começou após suspeita de envolvimento das vítimas com tráfico de drogas. Os agentes teriam encontrado Santos e outros dois homens rendidos em um quarto, com as mãos na cabeça, momento em que Cruz e Noguchi efetuaram os disparos. Outros dois policiais também foram denunciados, mas tiveram o processo desmembrado. O caso gerou forte reação na comunidade e protestos em Paraisópolis.




