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Ataques de Milei a Lula adiam retorno de embaixador do Brasil à Argentina

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Da redação

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a fazer ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista ao canal argentino LN+. As declarações devem dificultar a normalização das relações diplomáticas e atrasar o retorno do embaixador brasileiro Julio Bitelli a Buenos Aires, segundo integrantes do Ministério das Relações Exteriores. A volta do diplomata estava condicionada a gestos de distensão após recentes atritos públicos.

Milei reiterou, na entrevista, palavras utilizadas anteriormente no Brasil, durante a convenção que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. O presidente argentino afirmou ter agido corretamente ao chamar Lula de “presidiário”, “ladrão” e “corrupto”. Questionado na TV, respondeu: “Eu menti? É ladrão, é um corrupto. Foi condenado por ser ladrão e corrupto. Esteve preso, portanto está correto presidiário. E não somente isso. Foi liberado por um erro administrativo do procedimento (judicial), não por ser inocente”.

Até sexta-feira (31), o Itamaraty ainda monitorava a situação política argentina à distância, com a embaixada em funcionamento, mas sem a presença de Bitelli. O embaixador foi chamado a consultas em Brasília em resposta ao discurso de Milei na convenção bolsonarista e, depois de conversas com Lula e o ministro Mauro Vieira, foi orientado a permanecer no Brasil por tempo indeterminado, aguardando indicação de melhora no clima político.

Diplomatas avaliavam como positiva, dentro do contexto do governo Milei, a fala do chanceler argentino Pablo Quirno na rádio Mitre, quando afirmou não haver intenção de romper relações com o Brasil. Bitelli realizou três reuniões com autoridades do governo federal desde que retornou: duas com Lula e uma com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.