Da redação
O volume de ajuda internacional de países ricos para nações pobres e instituições multilaterais registrou queda de 23,1% entre 2024 e 2025, segundo estudo do Brics Policy Center, vinculado ao Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. O auxílio passou de US$ 174,3 bilhões para um corte de US$ 52,4 bilhões, em valores reais ajustados pela inflação, marcando o maior recuo já registrado. Estados Unidos, França, Alemanha, Japão e Reino Unido responderam por 95,7% da redução, sendo que só os EUA foram responsáveis por 75,1%, após cortarem 56,9% de sua contribuição.
O levantamento indica que a diminuição da ajuda coincide com redirecionamento de recursos para áreas como defesa e segurança energética. Nos Estados Unidos, os gastos militares aumentaram para US$ 845,3 bilhões, enquanto na União Europeia houve crescimento de 11%, totalizando 381 bilhões de euros. O investimento em energia no bloco europeu duplicou desde 2015, chegando a US$ 420 bilhões, impulsionado pela busca de segurança energética desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022.
O documento aponta uma “retração seletiva” na ajuda internacional, com queda de 27% no financiamento ao sistema da Organização das Nações Unidas, mas aumento de 6,4% ao Banco Mundial e de 11,9% a bancos regionais de desenvolvimento. Pelas projeções dos pesquisadores, uma nova queda de 6,9% pode ocorrer em 2026, trazendo o volume de auxílio global aos patamares de 2014. A África Subsaariana, região mais afetada, sofreu redução de 23% nos recursos em 2025, com previsão de novo recuo para o ano seguinte.
Segundo dados da Oxfam, reproduzidos pelos pesquisadores, a redução da ajuda pode resultar em 695.238 mortes em excesso somente em 2025, podendo alcançar 9.416.417 até 2030 caso a tendência se mantenha. O estudo destaca ainda que, mesmo com a diminuição geral, a Ucrânia tornou-se o maior beneficiário individual da história, superando os países classificados pela ONU como menos desenvolvidos.





