Da redação
A Associação Marroquina de Direitos Humanos responsabilizou o Estado do Marrocos pelo fluxo migratório de mais de 50 mil pessoas em direção a Ceuta ou Melilla, enclaves espanhóis no continente africano. Conforme governo de Ceuta, quase 100 pessoas morreram durante a travessia.
No documento aprovado por seu Bureau Central, a entidade acusa o país de não oferecer perspectivas à juventude, ampliando sentimentos de frustração e desespero, transformados em motivação para emigrar. Aponta ainda desigualdade social, concentração de riqueza nas mãos de poucos e critica a apropriação dos recursos nacionais por meio de corrupção e autoritarismo.
A organização afirma que a crise migratória reflete “uma profunda crise estrutural” e condena a exploração desse fluxo como “pressão política ou de negociação” junto à Espanha ou Europa. A AMDH menciona ainda o “silêncio suspeito” das instituições estatais e critica o discurso de extrema-direita na Europa e nos Estados Unidos por incitar ódio contra imigrantes.
Especialistas ouvidos apontam que o Marrocos combina tradição islâmica com controle forte da dinastia alauíta, liderada pelo rei Mohammed VI há 27 anos. Segundo dados da Organização das Nações Unidas, o país ocupa o 120º lugar no ranking mundial do Índice de Desenvolvimento Humano, com taxa de desemprego de 24,9% entre jovens de 15 a 24 anos em 2022.





