Da redação
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, declarou que proibirá formalmente a participação de membros da oposição nas eleições do país, decisão que, segundo ele, visa “proteger o país da interferência de Washington”. O anúncio foi feito no aniversário da Revolução Sandinista, e prevê também uma reforma constitucional para estabelecer um mandato presidencial de sete anos, “renovável”, além de excluir partidos que Ortega classifica como “golpistas” e “a serviço dos Estados Unidos”.
De acordo com o Congresso, a reforma deve ser aprovada em setembro. Críticos afirmam que a proposta intensifica o controle do presidente sobre o país, onde governa ao lado da esposa, Rosario Murillo. Ortega é acusado por adversários de reeleições fraudulentas e de instaurar uma “ditadura dinástica”. Nas eleições de 2021, o presidente baniu e retirou a cidadania de possíveis adversários sob acusação de “traição à pátria” e prendeu opositores e ativistas, segundo informações da Organização das Nações Unidas.
A ex-comandante guerrilheira Dora María Téllez, atualmente refugiada na Espanha, avalia que o ponto central da reforma é a possibilidade de renovação indefinida do mandato, abrindo caminho para a sucessão familiar. Para Félix Maradiaga, ex-candidato à presidência exilado nos Estados Unidos, Ortega tenta garantir o poder para Murillo e Laureano, um de seus filhos. Maradiaga também defende que a pressão internacional contra as políticas do governo deve aumentar.
Estados Unidos e União Europeia impuseram sanções contra a administração nicaraguense desde 2018, após repressão a protestos que, segundo a ONU, resultaram em cerca de 350 mortes. O governo é acusado de reprimir imprensa e oposição, e parte da população e políticos opositores se encontram no exílio. Atualmente, a Frente Sandinista de Libertação Nacional, liderada por Ortega, controla amplamente o cenário político do país.





