Por Alex Blau Blau
Levantamento aponta 233 feminicídios entre 2015 e 2026 e mostra que a maioria das vítimas enfrentava agressões antes do crime
Mais de 60% das mulheres vítimas de feminicídio no Distrito Federal já enfrentavam algum tipo de violência antes de serem assassinadas. Os dados da Segurança Pública mostram que, entre 2015 e 2026, foram registrados 233 feminicídios na capital.
Apesar do histórico de violência identificado em muitos casos, 69,1% das vítimas não haviam registrado ocorrência contra o autor. Muitas das agressões anteriores somente foram conhecidas posteriormente, por meio de relatos de familiares, amigos e vizinhos.
Ceilândia aparece como a região administrativa com maior número de casos no período, com 30 feminicídios.
Violência assume diferentes formas
A violência contra a mulher não se resume às agressões físicas. A Lei Maria da Penha também reconhece as formas psicológica, sexual, patrimonial e moral. Ameaças, humilhações, controle financeiro, isolamento e intimidação estão entre comportamentos que podem indicar uma situação de risco.
O Panorama da Violência contra a Mulher no Distrito Federal aponta ainda que 93,5% das vítimas relatam consequências provocadas pelas agressões, entre elas ansiedade, medo, tristeza, baixa autoestima e sensação de vulnerabilidade.
O levantamento foi criado para ampliar o acompanhamento dos casos e contribuir para a elaboração e avaliação de políticas públicas de prevenção e proteção às mulheres.
DF amplia medidas de prevenção
Em julho, o Distrito Federal também sancionou a Lei nº 7.935 de 2026, que criou o Cadastro Distrital de Pessoas Condenadas por Crimes de Estupro e Violência contra a Mulher.
A ferramenta reunirá informações sobre condenados e deverá auxiliar as autoridades na prevenção de novos crimes e na proteção das vítimas.
Os dados reforçam a importância da identificação dos primeiros sinais de violência. Situações de agressão dentro de casa são crimes e a comunicação às autoridades pode ser fundamental para interromper o ciclo antes que ocorram consequências ainda mais graves.





