Da redação
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou o afastamento, por 180 dias, de Daniel Brandão, presidente do Tribunal de Contas do Maranhão (TCE-MA) e sobrinho do governador Carlos Brandão. A decisão ocorreu no âmbito de inquérito que investiga o assassinato de um homem em São Luís. A defesa de Daniel, procurada, não se manifestou.
Segundo Dino, há indícios de “repasses financeiros, entregas em espécie, pagamentos indiretos e custeio de despesas” voltados a ocultar a participação de Daniel no caso. O ministro também apontou risco de uso do cargo para favorecer o tio, cujas contas são apreciadas pelo TCE-MA. Daniel esteve no local do crime minutos antes do homicídio, mas seu nome foi omitido em investigação da Polícia Civil que apurou o caso.
A apuração considera que o assassinato pode estar ligado a um pedido de propina feito por Daniel quando era secretário no governo do tio. O autor do crime, Gilbson Cutrim Junior, foi condenado a 13 anos de prisão. Dino também citou suspeita de envolvimento de Daniel em suposto esquema de desvio de emendas parlamentares que teria como líder o governador. Na semana anterior, Dino autorizou buscas em empresas da família e em outras, apontadas pela Polícia Federal como controladas pelos Brandão por meio de terceiros.
O governador Carlos Brandão rompeu politicamente com Dino e atribui as investigações a perseguição política. O inquérito tramita no STF porque a Polícia Federal obteve diálogos em que o senador Weverton Rocha (PDT-MA) teria pressionado o ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para interferir nas investigações. Na última sexta-feira (14), Dino retirou o sigilo de três decisões referentes ao caso e a negócios ligados à família Brandão.






