Da redação
A Igreja Universal do Reino de Deus iniciou o Desafio de Neemias, campanha que irá durar 52 dias e propõe desafios diários aos fiéis com o objetivo de “restauração e construção dos valores cristãos, da fé e da proteção das famílias”, segundo a instituição. A iniciativa, conduzida pelo bispo Edir Macedo, exige cadastro em aplicativo e terá seu encerramento previsto para o dia do primeiro turno da eleição.
O projeto faz referência ao personagem bíblico Neemias, que liderou a reconstrução do muro de Jerusalém em 52 dias, conforme relato do Antigo Testamento. A campanha apresenta tarefas temáticas, como “guardiões da família” e abordagens sobre “fake news”, tema recorrente no discurso da Universal, que se declara alvo de desinformação por parte da mídia. Em declaração, o bispo Alessandro Paschoall, que lidera o projeto Arimateia, afirmou que é necessário evitar novos fechamentos de templos, citando o período da pandemia como exemplo de “direito violado”.
A aproximação entre a Universal e o processo eleitoral tem histórico consolidado. Segundo o escritor Gilberto Nascimento, autor de livro sobre Edir Macedo, a igreja ampliou engajamento político a partir dos anos 1980 e mantém forte bancada no Legislativo, principalmente nas fileiras do Republicanos. Entre os nomes ligados à Universal na Câmara dos Deputados destacam-se Marcos Pereira (SP), presidente do partido, Milton Vieira (SP), Márcio Marinho (BA), entre outros.
De acordo com o advogado Alberto Rollo, especialista em direito eleitoral, a campanha não infringe diretamente a legislação, já que se trata de mobilização religiosa sem pedido explícito de votos. Não é permitido, segundo Rollo, o apoio financeiro, uso de templos para reuniões políticas ou material de campanha, nem a solicitação direta de voto pelos pastores. A Igreja Universal do Reino de Deus não se manifestou sobre a campanha até o momento.





