Por Alex Blau Blau
Registros apontam mais de 23 horas de permanência na sede da Presidência desde 2023; defesa afirma que encontros tiveram caráter pessoal e governo nega discussão de assuntos da administração pública
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, esteve pelo menos 18 vezes no Palácio do Planalto desde 2023. Os registros surgem em meio às investigações da Polícia Federal que apuram suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo o empresário.
Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação mostram entradas no Planalto em 15 dias diferentes, entre junho de 2023 e janeiro de 2025. Somadas, as permanências chegaram a 23 horas e 26 minutos, com visitas que variaram de 19 minutos a mais de quatro horas.
As informações foram fornecidas pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. O órgão informou que seus registros não especificam os locais visitados dentro do complexo nem os motivos dos encontros.
A defesa de Lulinha sustenta que as idas ao Planalto tiveram finalidade pessoal. Segundo o advogado Marco Aurélio de Carvalho, o empresário visitava o pai e amigos que trabalham no local.
A Secretaria de Comunicação da Presidência também afirmou que os encontros foram de caráter privado, sem discussão de temas relacionados à administração pública e sem qualquer consequência administrativa.
Mensagens estão sob investigação
Os registros passaram a despertar maior atenção devido a mensagens entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger que estão em poder da Polícia Federal.
Em uma conversa de março de 2024, aparecem referências a reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, então integrante do gabinete presidencial, e Swedenberger Barbosa, que ocupava a Secretaria Executiva do Ministério da Saúde.
A investigação também analisa a relação de Roberta com Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Ela teria recebido cerca de R$ 1,5 milhão do empresário. Em uma das movimentações investigadas, surgiu a expressão “filho do rapaz”, que, segundo a linha de apuração policial apresentada no material, poderia fazer referência a Lulinha.
Não há, contudo, conclusão definitiva sobre o significado da expressão.
Negócios também aparecem nas conversas
Outro diálogo atribuído a Lulinha, de julho de 2023, mostra o empresário orientando Roberta a emitir uma nota fiscal para Cleber Ribas, proprietário de uma empresa que posteriormente obteve contratos milionários com o governo federal.
Os investigadores também identificaram conversas nas quais Ribas teria demonstrado interesse em uma reunião com o filho do presidente.
A Polícia Federal deverá confrontar os registros de acesso ao Planalto, as mensagens, movimentações financeiras e outros elementos reunidos nos inquéritos para determinar se houve alguma atuação irregular.
A existência das visitas e das conversas, por si só, não comprova tráfico de influência ou corrupção. As investigações permanecem em andamento, e as defesas dos envolvidos poderão apresentar suas versões e elementos no decorrer das apurações.





