Da redação
Juscelino Kubitschek deixou Brasília em direção a São Paulo, acompanhado pelo deputado federal Ulysses Guimarães e pelo senador Franco Montoro, durante seu último deslocamento político, cujo destino final era o Rio de Janeiro. O ex-presidente foi recebido na Casa da Manchete pelo empresário Adolpho Bloch, onde reencontrou amigos antes de seguir viagem.
A Casa da Manchete, localizada na esquina da Avenida Europa com a Rua Groenlândia, foi projetada pelo arquiteto Jacques Pilon e pertenceu inicialmente ao parlamentar e empresário Horácio Lafer. Adolpho Bloch adquiriu o imóvel no início da década de 1960 e promoveu grandes encontros na residência, decorada com obras de artistas como Portinari, Tarsila do Amaral e Lasar Segall.
Na sequência, Juscelino realizou visitas sociais e partiu de São Paulo rumo ao Rio de Janeiro dirigindo-se, inicialmente, ao Hotel Fazenda Villa-Forte, após pedir ao motorista Geraldo Ribeiro que observasse a placa na Via Dutra. No hotel, o brigadeiro Newton Junqueira Villa-Forte recebeu o ex-presidente, que teria participado de uma reunião reservada com dois oficiais do Exército para debater o processo de abertura política, segundo a solicitação do então presidente Geisel. Segundo relato, a reunião durou pouco mais de 90 minutos.
O Hotel Fazenda Villa-Forte era conhecido na região como “Hotel do SNI”, pois frequentemente hospedava militares e agentes do Serviço Nacional de Informações. O brigadeiro Junqueira, anfitrião do encontro, foi um dos fundadores do SNI e mantinha conexão com figuras como o general Figueiredo e Golbery do Couto e Silva, ambos visitantes habituais do local.



