Da redação
O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, Qu Dongyu, alertou para a necessidade de garantir alimentos saudáveis à população mundial durante discurso no International Horticultural Congress 2026, realizado no Japão. A horticultura movimenta US$ 1,4 trilhão, com exportações de 175 milhões de toneladas em 2024, mas, segundo a FAO, esse avanço econômico não resultou em melhorias alimentares.
De acordo com Qu Dongyu, o setor enfrenta três obstáculos: baixos investimentos em pesquisa e infraestrutura, crescimento anual inferior a 1% na produção e consumo global insuficiente de frutas e vegetais. Segundo a FAO, a recomendação diária é de 400 gramas por pessoa, porém a média mundial fica em 80 gramas de frutas e 190 gramas de vegetais. Conforme previsões da agência, até 2050 menos de um terço dos países da África Subsaariana terá oferta adequada de hortaliças.
O diretor-geral da FAO destacou ainda que nenhum avanço será efetivo sem a participação dos agricultores. Inovações como inteligência artificial e biotecnologia já contribuem para acelerar cultivos e diminuir perdas pós-colheita. Parcerias com a Agência Internacional de Energia Atômica permitiram o desenvolvimento de mais de 3,4 mil variedades de plantas em 70 espécies, mas Dongyu afirmou que é fundamental garantir o acesso das tecnologias aos pequenos produtores, responsáveis por mais de 80% da produção na Ásia e África Subsaariana.
Segundo a FAO, quase metade dos 104 sistemas incluídos no programa de Patrimônio Agrícola Mundial envolve a horticultura, como os pomares de jujuba na China e cultivos nos Andes peruanos. Qu Dongyu ressaltou iniciativas como Smart Farming, Green Cities e One Country One Priority Product, além do anúncio do próximo relatório global com análises sobre mercado, produtividade, saúde vegetal e estratégias para diminuir o desperdício de alimentos.



