Da redação
Cerca de 500 novos casos de ebola são notificados por semana na República Democrática do Congo, afetando desproporcionalmente mulheres e crianças, segundo António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas. Conforme Guterres, o principal obstáculo ao controle do vírus é a falta de atenção e recursos internacionais.
Guterres afirmou a jornalistas que a crise ocorre em um dos ambientes mais frágeis do mundo. Na província de Ituri, onde conflitos antigos já deslocaram um milhão de pessoas, o acesso a saúde e alimentação é mínimo. Profissionais de saúde enfrentam ataques constantes a ambulâncias e centros de tratamento, que já resultaram na morte de mais de 40 trabalhadores.
Segundo o secretário-geral, equipes médicas e comunitárias enfrentam desafios diários devido à infraestrutura precária e à violência persistente na região leste do país. A resposta liderada pelo governo, com apoio da Organização Mundial da Saúde e da União Africana, baseia-se em cinco eixos: engajamento comunitário, vigilância epidemiológica, ampliação da capacidade de tratamento, realização de sepultamentos seguros e bloqueio da transmissão em rotas fronteiriças e fluviais.
Guterres destacou que o financiamento disponível cobre apenas metade dos US$ 2,13 bilhões necessários para manter as operações humanitárias na região. O secretário-geral afirmou que a tecnologia e o conhecimento para controlar o ebola já existem, mas ressaltou que “superar o vírus da indiferença” é essencial para evitar perdas humanas e financeiras ainda maiores.



