Da redação
A Justiça Militar de São Paulo decretou a prisão preventiva do tenente-coronel José Henrique Martins Flores, investigado por suposto envolvimento com organização criminosa ligada à segurança privada de dirigentes, familiares e garagens da empresa de ônibus Transwolff. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, Flores foi conduzido ao Presídio Militar Romão Gomes, na capital, após cumprimento de mandado expedido pelo juiz Marcos Fernando Theodoro Pinheiro, da 3ª Auditoria Militar. Outros três policiais militares já estavam presos preventivamente.
De acordo com o Ministério Público, Flores fornecia a estrutura empresarial, administrativa e fiscal necessária para formalizar os serviços e garantir que os pagamentos circulassem por empresas consideradas regulares. Conforme a Promotoria, ele era lotado no Comando de Policiamento de Área Metropolitano Sete (CPA/M7), em Guarulhos, e não atuava diretamente nas ações de segurança. Na decisão, o magistrado destacou haver “provas robustas” para a segregação, ressaltando a relevância do alto posto ocupado pelo oficial.
A Promotoria afirma que, desde 2020, um núcleo de policiais militares prestava proteção aos dirigentes da Transwolff, incluindo Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, e Cícero de Oliveira, o Té. O capitão Alexandre Paulino Vieira coordenaria esse núcleo, enquanto Romano e Nereu Aparecido Alves seriam responsáveis pelas escoltas. Segundo o juiz, contratos entre a empresa ligada a Flores e a Transwolff foram mantidos e até ampliados após a deflagração da Operação Fim da Linha, que investiga lavagem de dinheiro vinculada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em sua defesa, a Transwolff nega vínculos com o crime organizado e afirma que auditoria realizada após intervenção municipal não identificou indícios de práticas ilícitas, mas apenas questões operacionais e financeiras. Após a Operação Fim da Linha, a empresa sofreu intervenção da Prefeitura e teve a caducidade dos contratos decretada em dezembro. As defesas de Vieira e Nereu negam envolvimento dos policiais e consideram as prisões desnecessárias.



