Da redação
O colapso de uma geleira na fronteira entre China e Nepal provocou mais de mil mortes e deixou mais de 4.700 desaparecidos, conforme autoridades locais. O desastre resultou em inundações repentinas, principalmente no distrito nepalês de Nuwakot, que permanece isolado devido às chuvas de monção constantes.
Equipes de resgate da Cruz Vermelha começaram a acessar regiões devastadas e de difícil acesso, como o distrito de Rasuwa. Segundo a instituição, as operações ocorrem sob chuva intensa e riscos persistentes de novos desabamentos, com áreas inteiras ainda sob ameaça de novas tragédias. No lado chinês da fronteira, autoridades informaram 16 mortos e 546 desaparecidos.
A ONU Mulheres estima que 43 mil mulheres e meninas no Nepal necessitam de assistência humanitária imediata após as enchentes de 26 de agosto. Parceiros da agência relataram crescente escassez de alimentos, dificuldades no acesso à água potável e agravamento dos riscos à proteção dessas pessoas, especialmente gestantes e pessoas com deficiência, que foram levadas pelas águas nas comunidades mais atingidas.
De acordo com Christine Arab, diretora regional para Ásia e Pacífico da ONU Mulheres, uma em cada três mulheres nos distritos afetados é analfabeta, o que dificulta o acesso a informações sobre suporte. Relatos indicam aumento do trabalho de cuidados não remunerados por mulheres, que já executavam 85% dessas tarefas antes do desastre. A ONU Mulheres ressalta que mulheres e meninas são fundamentais para a resposta e recuperação humanitárias, embora, em tragédias anteriores, não tenham participado de forma significativa no recebimento de assistência.




