Início Distrito Federal Centro de Cultura e Educação Popular oferece alfabetização e inclusão em várias...

Centro de Cultura e Educação Popular oferece alfabetização e inclusão em várias regiões do DF


Da redação

Jacira dos Santos, de 78 anos, começou a estudar no Centro de Cultura e Educação Popular de Ceilândia, no Distrito Federal, após uma vida dedicada ao trabalho e ao cuidado das sete filhas. Segundo a própria Jacira, que não aprendeu a ler na infância por ter de cuidar da família, a alfabetização mudou sua rotina. Agora, consegue circular sozinha por Brasília e afirma que pretende continuar os estudos até chegar à universidade.

De acordo com Pedro Lacerda, presidente do Centro de Cultura e Educação Popular de Ceilândia, a maioria dos estudantes não alfabetizados atendidos pela instituição é formada por mulheres acima dos 50 anos. Lacerda atribui esse perfil à sobrecarga de trabalho doméstico e ao cuidado com filhos, dificultando a permanência das mulheres na escola. A professora Patrícia Lourdes, que atua na unidade, afirma que muitos alunos tiveram o direito à educação negado devido à pobreza, restrições familiares ou falta de acesso na zona rural.

O Centro de Cultura e Educação Popular de Ceilândia foi criado em 1989 e atua com alfabetização de jovens, adultos e idosos, além de formação de educadores populares, inclusão digital e outras atividades educativas. O centro mantém turmas em diferentes regiões do Distrito Federal, como Sol Nascente, Terreiro do Vô Congo Mãe Zenith d’Oxum e acampamento Nova Jerusalém, com o objetivo de aproximar as aulas das comunidades atendidas. Em 2026, a instituição desenvolve iniciativas como o Projeto LER, em parceria com a Universidade Federal de São Paulo e o Ministério da Educação.

A metodologia do centro é inspirada na educação popular de Paulo Freire, que visitou Ceilândia em 30 de agosto de 1996 para a instalação do 1º Fórum Regional de Alfabetização de Jovens e Adultos. Declarado patrono da educação brasileira pela Lei nº 12.612 de 2012, Freire influenciou a proposta pedagógica do centro e projetos como o cursinho popular voltado ao acesso ao ensino superior.