Da redação
Janaiara Soares, servidora da Defensoria Pública de Mato Grosso, relatou que sua mãe, Sidelia Paula da Silva, diagnosticada com depressão, faleceu depois de esperar por dois anos por atendimento psicológico pelo Sistema Único de Saúde em Cuiabá. Segundo Janaiara, apenas em julho deste ano a família recebeu aviso de autorização da consulta após a morte de Sidelia.
Em depoimento, Janaiara afirmou: “A depressão levou minha mãe, mas o sistema de saúde pública de Cuiabá também tem sua parcela de culpa.” Ela contou que Sidelia, que tinha 58 anos e trabalhava em serviços gerais, buscou ajuda em um posto de saúde, foi atendida por um clínico geral e encaminhada para acompanhamento psicológico, com o pedido registrado na rede municipal.
Conforme a filha, a demora impactou diretamente a família, que aguardava pelo tratamento para Sidelia, que preparava seu casamento religioso com o marido quando morreu. “A transição de preparar um momento feliz para um luto inexplicável foi difícil”, disse Janaiara, ao relatar a frustração ao receber a autorização da consulta dois anos depois do falecimento.
A psicóloga clínica e neuropsicóloga Juliana Gebrim alertou que depressão é uma condição séria, com risco agravado diante da demora no atendimento. Juliana destacou que a identificação precoce e encaminhamento adequado são essenciais, pois o sofrimento pode aumentar e comprometer a vida da pessoa se não tratados rapidamente.
O espaço segue aberto para manifestação da Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá, que não respondeu sobre o motivo da autorização ter acontecido apenas após a morte de Sidelia. Pessoas em sofrimento emocional podem procurar o Centro de Valorização da Vida pelo número 188.





