Início Brasil Quase metade dos médicos de UTI no Brasil apresenta risco de burnout

Quase metade dos médicos de UTI no Brasil apresenta risco de burnout


Da redação

No Brasil, 48,5% dos médicos que atuam em unidades de terapia intensiva (UTIs) de hospitais públicos e privados relatam exaustão emocional elevada e sensação de incapacidade física e mental para o exercício das funções, segundo o Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica das UTIs Brasileiras, conduzido pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM).

De acordo com o levantamento, 16% dos profissionais apresentam nível agudo de despersonalização, caracterizada por distanciamento afetivo e posturas frias no convívio com pacientes e colegas. Outros 46,4% dos intensivistas percebem baixa realização profissional. O estudo aponta que carga de trabalho extensa, exposição constante a situações críticas e pressão por decisões rápidas estão entre os principais fatores que contribuem para o desgaste da saúde mental dos médicos entrevistados.

A pesquisa avaliou 2.338 profissionais com pelo menos um ano de atuação contínua em UTIs, distribuídos em 26 estados e no Distrito Federal. O mapeamento do inquérito agrupou os médicos em três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e realização profissional, e registrou que 68,9% demonstraram alteração em pelo menos uma delas. O risco de burnout foi 20% menor entre médicos com sono saudável e 25% mais baixo nos que manifestaram satisfação com a vida.

Entre os participantes, 54,2% disseram estar satisfeitos com a vida. “Alta satisfação com a vida diminui o risco de burnout. Atualmente, sabemos que as condições de trabalho são o fator mais importante”, avaliou Ederlon Rezende, presidente do conselho consultivo da Amib. Rezende destacou ainda a necessidade de limitar jornadas de trabalho exaustivas e assegurar a qualidade do sono dos intensivistas.

O presidente da Amib, Cristiano Franke, defende a adoção de normas técnicas compatíveis com a jornada em UTIs e a ampliação das equipes para conter a sobrecarga. José Eduardo Dolci, presidente eleito da Associação Médica Brasileira (AMB) 2027/2029, afirmou que a abertura indiscriminada de escolas médicas e a falta de vagas em residência impactam negativamente a qualificação dos profissionais e a saúde mental nas UTIs.