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Investigação aponta elo do PCC com todas as concessionárias de linhas de bairro de SP


Da redação

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo apuram suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital, atingindo todas as concessionárias responsáveis pelas linhas locais, exceto as antigas rotas da Transwolff, atualmente administradas pela SPTrans por decisão da prefeitura devido a suspeitas de ligação com a facção criminosa.

A operação cumpriu mandado de prisão contra o ex-vereador Milton Leite (União Brasil) e resultou em outras 15 prisões, com buscas em 18 endereços. De acordo com as investigações, empresas como A2 Transportes, Auto Bless (antiga Transcap), Transunião, MoveBus, Alfa Rodobus, Nortebuss e Transwolff são citadas por manter relação, em diferentes graus, com o PCC. Os contratos e registros dessas empresas estão sob análise de um grupo de trabalho criado pela Prefeitura de São Paulo, que afirmou não compactuar com irregularidades e reiterou a colaboração com as autoridades.

Paulo Sirqueira Korek Farias, proprietário da A2 Transportes, negou qualquer envolvimento com o PCC: “A A2 Transportes nunca teve envolvimento com o PCC e jamais fez lavagem de dinheiro. Nossos recursos são provenientes exclusivamente dos contratos e pagamentos realizados pela Prefeitura pelos serviços que prestamos.” A Transwolff declarou que Milton Leite “nunca teve qualquer participação societária na Transwolff, nunca participou da gestão ou ‘deu ordens’ na empresa”, considerando “equivocadas” as acusações. Demais companhias citadas não responderam ou informaram que todos seus funcionários estavam indisponíveis.

O Ministério Público relata que, no caso da Auto Bless, o elo seria um sócio preso preventivamente, acusado de extorsão e vínculo com a facção. A Transunião, além de alvo de investigações por extorsão, lavagem de dinheiro e homicídio de ex-diretor, teve a prisão do vereador Senival Moura (PT), que nega irregularidades. Segundo a Polícia Civil, a MoveBus foi citada em inquéritos da Polícia Federal por ligação com familiares de liderança do PCC.

O sistema de transporte público de São Paulo é dividido em três lotes: corredores principais, articulação regional e linhas de bairro. A maior parte das empresas sob suspeita atua no terceiro lote, referente às linhas locais. O MP menciona também a Alfa Rodobus, sucessora da UpBus, como indício da ampla influência do crime organizado no setor, além de citar vínculos históricos da Nortebuss, ex-Transcooper, com a facção em 2015.