Da redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara um discurso com forte tom de antagonismo retórico em relação a Donald Trump para a abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, conforme assessores do Palácio do Planalto. O pronunciamento não citará diretamente Trump nem os Estados Unidos, mas Lula pretende abordar temas globais sensíveis, com destaque para a soberania.
Auxiliares apontam que a estratégia está alinhada às expectativas da comunidade internacional, porém visa principalmente a repercussão interna, na avaliação de que o confronto discursivo com Trump favorece a popularidade do presidente. O tema da soberania, considerado central por Lula, voltará ao foco, após ter perdido espaço devido a escândalos de corrupção recentes que afetaram governo e campanha.
Segundo integrantes do governo, o Brasil se beneficia do protocolo da Assembleia Geral por abrir os debates logo após o secretário-geral das Nações Unidas e antes do presidente dos Estados Unidos. “É quando a maioria dos chefes de Estado está lá para acompanhar os debates”, afirmou um assessor presidencial.
Ainda de acordo com assessores, a postura adotada por Lula nas negociações do tarifaço e na oposição à intervenção americana nas eleições brasileiras são exemplos de bom desempenho diante de Trump, inclusive eleitoralmente. Eles citam a entrevista do presidente após o G7, em Évian-les-Bains, na França, na qual Lula pediu que Trump “não se meter-se” nas eleições brasileiras, o que teria sido seguido por melhora nas pesquisas. Nos últimos dias, Lula repercutiu a expectativa sobre o discurso, mencionando um suposto “bate-papo” com Trump, embora não haja previsão de reunião entre eles.





