Da redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o principal alvo de conteúdos com uso de inteligência artificial durante a pré-campanha eleitoral, conforme levantamento do Observatório IA nas Eleições. Ao todo, foram 112 casos de reprodução artificial da imagem ou voz do presidente identificados em redes sociais. Segundo o observatório, o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi o segundo principal alvo, com 57 casos.
O monitoramento detectou 413 casos de uso político da tecnologia, sendo que 81% dos conteúdos coletados eram classificados como deepfakes, ou seja, envolviam manipulação de imagens ou falas de figuras públicas. A pesquisa também indica que 63% das publicações não traziam identificação clara de que se tratavam de conteúdos sintéticos, o que, de acordo com as regras do Tribunal Superior Eleitoral, contraria a exigência de informar explicitamente quando uma peça é manipulada.
Entre os episódios citados no relatório está a simulação de um discurso do ex-presidente Jair Bolsonaro durante uma convenção partidária do PL, ocasião em que, segundo o TSE, a divulgação interna não acarretou punição pela corte. Ainda de acordo com o levantamento, a maioria dos conteúdos foi produzida por pessoas anônimas, mas ao menos 35% partiu de políticos ou partidos, sendo Flávio Bolsonaro o agente político que mais publicou materiais do tipo, com 13 registros.
O relatório destaca que o Instagram foi a principal plataforma de circulação dos conteúdos sintéticos, responsável por 50% dos casos, seguido por TikTok, com 21%, e X, com 16%. O estudo também aponta que, entre abril e agosto, cinco chatbots disponíveis no Brasil responderam a testes sobre pré-candidatos, sem seguir integralmente as regras do TSE para IA eleitoral.





