Da redação
A França enfrenta uma escalada no custo de sua dívida pública, que atingiu 117,5% do Produto Interno Bruto, ou cerca de 3,5 trilhões de euros no fim de março, e passou a despertar preocupações sobre um possível “efeito de contágio” na zona do euro, segundo economistas. O rendimento dos títulos franceses de 10 anos subiu para 4,50% em meados de setembro, patamar superior ao de Itália, Espanha e Grécia, elevando o custo da dívida para 65 bilhões de euros em 2026.
De acordo com Maxime Darmet, economista da Allianz Trade, a França, antes considerada central no bloco europeu, tornou-se “quase periférica”, em parte pelo aumento do “spread” entre os títulos de dez anos da França e da Alemanha, que alcançou 100 pontos-base nesta sexta-feira (18). Kevin Thozet, da gestora de ativos Carmignac, atribui a vulnerabilidade do país a um déficit elevado, um Parlamento fragmentado e à dependência de investidores internacionais, responsáveis por cerca de 56% da dívida do governo francês.
Darmet alerta que, caso o diferencial entre os títulos atinja 120 ou 130 pontos-base, agravado por deterioração fiscal ou impasses políticos, pode haver risco de crise mais ampla no bloco. Apesar das fragilidades, analistas como David Zahn, da Franklin Templeton, ponderam que os papéis franceses ainda são bastante demandados e não representam, neste momento, risco sistêmico para a zona do euro.
O governo francês prevê um ajuste fiscal de 54 bilhões de euros em seu projeto de orçamento para 2027, conforme anunciado pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu. O déficit público estimado para 2026 é de 5,4% do PIB, quase o dobro do limite definido pelas regras europeias.





