Da redação
Friedrich Merz, primeiro-ministro da Alemanha e líder da União Democrata-Cristã (CDU), enfrenta pressão crescente com a expectativa de desempenho de seu partido em dois estados onde a sigla Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita, disputa protagonismo. Segundo pesquisas, a CDU corre o risco inédito de não superar a cláusula de barreira de 5% em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, um dos estados mais pobres do país, situação que lança dúvidas sobre o comando de Merz e sobre a sobrevivência da legenda na região.
Na avaliação de analistas e políticos locais, parte da responsabilidade recai sobre Merz, criticado por integrantes da própria CDU por sua postura considerada insensível às demandas da população. A popularidade do primeiro-ministro atingiu novo recorde negativo, com 88% de insatisfeitos e apenas 10% de aprovação. A dificuldade em aprovar reformas complexas, como mudanças na Previdência e cortes em benefícios sociais, também alimenta o descontentamento, enquanto a AfD cresce entre o eleitorado desiludido.
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD aproxima-se de liderar o governo estadual após obter quase 44% dos votos em Saxônia-Anhalt semanas atrás, conforme números oficiais. O principal candidato da AfD no estado, Leif-Erik Holm, apresenta-se como moderado e tenta conquistar votos fora dos extremos, enquanto a governadora Manuela Schwesig (SPD) utiliza discurso voltado ao enfrentamento direto da extrema direita e ganhou terreno na disputa pela reeleição.
A instabilidade interna da CDU já alimenta especulações sobre possíveis substitutos para Merz no futuro. Segundo a imprensa alemã, Hendrik Wüst, governador da Renânia do Norte-Vestfália, e Markus Söder, governador da Baviera, figuram entre os nomes cotados. Uma eventual troca de comando dependeria de eleição no Bundestag, o Parlamento, já que a convocação de eleições federais não está em discussão devido ao avanço da AfD.





