Da redação
Candidatos ao Senado têm indicado pessoas com elevado patrimônio para os cargos de suplente, privilegiando nomes milionários e com histórico de doações eleitorais relevantes, segundo levantamento do Tribunal Superior Eleitoral. A média de patrimônio dos primeiros suplentes chega a R$ 9 milhões, mais que o dobro dos titulares das vagas, que registram R$ 3,9 milhões.
Entre as siglas com representação no Congresso Nacional, 42% dos suplentes declararam bens superiores aos dos titulares. Entre 220 postulantes a primeiro suplente nessa amostra, 101 são milionários. Alguns exemplos de grandes patrimônios incluem Luiz Osvaldo Pastore (PL), na chapa de Eduardo Gomes (PL) no Tocantins, com R$ 677 milhões, Wilson Picler (PL), suplente de Deltan Dallagnol (Novo) no Paraná, com R$ 478,6 milhões, e Odilio Balbinotti Filho (PL), companheiro de Zé Medeiros (PL) no Mato Grosso, com R$ 359,7 milhões.
Além do patrimônio, o histórico de doações eleitorais dos suplentes é expressivo. Picler realizou R$ 1,2 milhão em doações em 2018, incluindo R$ 800 mil para Ratinho Júnior (PSD), e R$ 923 mil em 2022, principalmente para Podemos e MDB. Balbinotti Filho doou R$ 1,5 milhão em 2022, sendo R$ 600 mil para Jair Bolsonaro (PL) e R$ 100 mil para Rogério Marinho (PL-RN). Pastore, por sua vez, destinou R$ 317 mil para Eduardo Gomes e R$ 150 mil a outros candidatos estaduais.
A escolha dos suplentes também reflete estratégias políticas. Renan Calheiros (MDB-AL) indicou Gustavo Dias Henrique, vice-presidente da CBF, enquanto Arthur Lira (PP-AL) escolheu Gustavo Feijó, diretor de seleções da entidade. Em Minas Gerais, Carlos Viana (PSD) disputa com Misael Varella (PSD) na suplência, dono de R$ 315,2 milhões. Há ainda casos de alianças entre diferentes correntes partidárias, como Humberto Costa (PT) e Luciano Bivar, ex-PSL. O mandato de senador tem duração de oito anos e permite maior autonomia, incluindo permissões para troca de partido e negociação de períodos para que suplentes assumam, ampliando o interesse pelas suplências.





