Da redação
A governança global da inteligência artificial está no centro das discussões da Organização das Nações Unidas, que, segundo o secretário-geral António Guterres, considera indispensável a coordenação internacional para gerir os riscos da tecnologia. Guterres afirmou que esforços voluntários e isolados não serão suficientes para garantir o uso seguro, transparente e responsável da IA. O tema ganhou relevância após alertas de um ex-pesquisador da empresa Anthropic sobre ameaças existenciais associadas à inteligência artificial.
De acordo com a ONU, a melhor resposta aos desafios da IA é construir princípios e compromissos comuns entre países, estimulando cooperação e o desenvolvimento de normas regulatórias focadas em segurança, direitos humanos e redução das disparidades de acesso. O trabalho atual da organização tem respaldo no Pacto Digital Global, adotado pelos Estados-Membros em 2024 como parte do Pacto para o Futuro. Esse acordo propõe um painel científico independente e um diálogo global anual para avaliar oportunidades e riscos da IA.
Conforme estabelecido pela Assembleia Geral da ONU em agosto de 2025, o Painel Científico Internacional Independente sobre IA tem a missão de fornecer avaliações técnicas para subsidiar decisões governamentais, enquanto o Diálogo Global reúne representantes de governos, setores privados, comunidade científica e sociedade civil para buscar convergência sobre abordagens regulatórias. O primeiro relatório preliminar do painel, divulgado em primeiro de julho, apontou avanços rápidos da IA em áreas como programação, ciência e raciocínio, destacando potenciais riscos como desinformação, discriminação, violações de privacidade, ciberataques e o fenômeno da superinteligência.
O debate sobre inteligência artificial deve ocupar papel de destaque nas reuniões da Assembleia Geral da ONU, com eventos previstos para os dias 21 e 23 de setembro. Guterres também pediu a criação de um Compromisso para a Segurança Infantil e de um Fundo Global para a IA, voltado a apoiar países em desenvolvimento na formação de capacidades e infraestrutura. Há expectativa para um futuro encontro multissetorial que avance no desenvolvimento de mecanismos globais de controle, especialmente entre Estados Unidos e China, conforme sugerido pelo secretário-geral.





