Da redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou seu discurso na 81ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas para contrapor a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao abordar temas como conflitos globais, processos democráticos e a aproximação das eleições. Lula abriu o debate pela manhã, seguido por Trump, e ressaltou “as concessões à lei do mais forte já passaram dos limites”, além de defender a escolha entre “soberania ou subordinação”, sem citar nominalmente o líder norte-americano.
Segundo especialistas, o presidente buscou posicionar o Brasil de maneira antagônica aos Estados Unidos na política externa, destacando divergências quanto à condução de crises internacionais e à interferência em processos democráticos na América Latina. Lucas de Souza Martins, pesquisador da Temple University, afirmou que a menção clara ao processo eleitoral no discurso evidenciou um uso estratégico da tribuna da ONU como instrumento de contato com o eleitorado.
O discurso de Lula também refletiu o contexto eleitoral, marcado por empate técnico com Flávio Bolsonaro, do PL, na pesquisa Quaest recém-divulgada, que apontou percentuais de 42% e 41%, respectivamente. Conforme Cristina Pecequilo, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo, o presidente manteve em sua fala as linhas tradicionais da diplomacia brasileira, mas não deixou de acrescentar críticas à atuação da ONU e à imposição norte-americana sobre segurança na América Latina.
Entre outros pontos abordados, Lula defendeu o fim da escala de trabalho 6×1 como parte das propostas de campanha e reforçou a defesa do multilateralismo, dos direitos humanos e da soberania brasileira. Vinicius Vieira, professor da Fundação Getulio Vargas, observou que Lula associou multilateralismo, democracia e soberania como diretrizes informais de seu atual mandato.




