Da redação
Não há registro de declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL) ou de sua assessoria propondo retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Segundo vídeo gravado em 23 de agosto, ele afirmou apenas que pretende decretar que “o Brasil é do Senhor Jesus Cristo” caso seja presidente.
O boato ganhou força após a jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews, citar um movimento contrário entre católicos e evangélicos, sugerindo possível mudança no título da santa. Segundo a emissora, a informação teve origem em antigo projeto de Victorio Galli (MT), apresentado em 2007 e arquivado no ano seguinte. A GloboNews posteriormente se retratou, reconhecendo que não existe proposta em tramitação nem iniciativa recente nesse sentido.
Os advogados de Flávio Bolsonaro acionaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que publicações com a notícia falsa fossem removidas. O ministro do TSE André Mendonça determinou a exclusão dos conteúdos das redes sociais, que classificou como “notoriamente inverídicos”. Logo depois, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou as publicações, afirmando não haver “grau de certeza de ilicitude para extrair duríssimas consequências contra a liberdade de expressão e, em última análise, contra a própria liberdade religiosa”.
A devoção a Nossa Senhora Aparecida tem origem em 1717, quando pescadores encontraram a imagem no rio Paraíba do Sul, no atual município de Aparecida, interior paulista. Em 1930, após pedido dos bispos ao Vaticano, ela foi reconhecida como padroeira do Brasil. O título anterior pertencia a São Pedro de Alcântara, desde 1826.



