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Acidente do voo 1907 da Gol em 2006 mudou investigação de acidentes aéreos


Da redação

Uma das caixas-pretas do Boeing 737 de matrícula PR-GTD, envolvido na colisão aérea que provocou 154 mortes e a segunda maior tragédia da aviação brasileira, permanece exposta na sede da Gol em São Paulo. O acidente ocorreu quando o voo 1907, que fazia a rota entre Manaus e Rio de Janeiro com escala em Brasília, colidiu no ar com um jato Embraer Legacy 600 de matrícula americana, na região da Serra do Cachimbo, no norte de Mato Grosso. Nenhuma das pessoas no 737 sobreviveu.

O Legacy perdeu parte da ponta da asa, mas conseguiu pousar na base aérea do Cachimbo, no Pará. Os dois pilotos foram condenados, mas não cumpriram pena e vivem nos Estados Unidos. Houve condenações também de controladores de voo, que foram excluídos das Forças Armadas após processos com sentenças de ao menos dois anos, conforme informações do Ministério Público Federal. O relatório do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) não apontou falhas da tripulação da Gol nem da companhia que tenham contribuído para a colisão.

Especialistas, como Douglas Avedikian, destacam que o acidente impulsionou mudanças, como o aumento de controladores de tráfego aéreo, investimentos em radares e comunicação, e atualização de treinamentos, especialmente em inglês técnico. O episódio também levou à separação formal entre investigações sobre causas técnicas e apurações criminais, conforme estabelecido pela Lei 12.970. Em 2024, o Supremo Tribunal Federal confirmou a validade desse modelo de investigação.

O major-brigadeiro Jorge Kersul Filho, que assumiu o comando do Cenipa durante o resgate, coordenou a operação na Serra do Cachimbo, que durou 54 dias. A Gol afirma manter, até hoje, a memória dos passageiros e tripulantes e sustenta que a segurança permanece como valor número um na companhia, que adota padrões internacionais no setor.