Da redação
Líderes mundiais e especialistas discutiram em Nova York a criação de um “Painel Internacional sobre Desigualdade”, proposta defendida por Brasil, Noruega, África do Sul e Espanha em evento paralelo à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. O objetivo, segundo os organizadores, é reunir evidências científicas sobre as causas e consequências da desigualdade e apoiar governos no enfrentamento do problema.
A vice-secretária-geral das Nações Unidas, Amina Mohammed, destacou em nome de António Guterres que a concentração de riqueza e poder avança rapidamente, e alertou para o agravamento das disparidades devido às novas tecnologias. “O surgimento vertiginoso de tecnologias de ponta – e a concentração da riqueza e do poder dessa tecnologia em um número ínfimo de pessoas – pode desencadear uma desigualdade global em uma escala muito maior do que qualquer coisa que já tenhamos visto”, afirmou Guterres. O secretário-geral destacou ainda que a desigualdade ameaça as instituições democráticas e acirra o desequilíbrio internacional.
Segundo Guterres, o novo painel independente permitiria analisar causas, impactos e possíveis respostas para a desigualdade, tendo como referência o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia, que preside o comitê fundador da iniciativa, afirmou que a desigualdade deve ser tratada como desafio global, defendendo um órgão capaz de “avaliar, sintetizar e apresentar conhecimento e análises confiáveis”. O comitê apoia que seja criado por resolução da ONU.
Entre as medidas sugeridas estão maior investimento em educação, saúde e proteção social, tributação justa, cooperação internacional para financiamento e comércio, reforma da arquitetura financeira global e regulações tecnológicas. A primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, apoiou a proposta e destacou que combater a desigualdade é central para cumprir as promessas feitas pelas Nações Unidas à população mundial.



