Da redação
Mais de 20 mil crianças e adolescentes chegaram à Europa por rotas migratórias desacompanhados de responsáveis no último ano, segundo relatório da Organização Internacional para as Migrações, da Agência da ONU para Refugiados e do Fundo das Nações Unidas para a Infância. A análise indica atuação de redes de tráfico e crime organizado na exploração dessas rotas, expondo menores a violência, exploração e abusos.
O documento aponta que Itália e Espanha registraram as maiores proporções de chegadas solitárias, com 86% dos menores desembarcando sem acompanhantes. Embora o total de crianças migrantes por terra e mar em países como Bulgária, Chipre, Grécia, Itália, Malta e Espanha tenha caído 25% em relação ao ano anterior, a Itália teve aumento de 12% no número de desembarques, somando mais de 14 mil vindos do Egito, Eritreia, Somália, Bangladesh e Etiópia.
Segundo a diretora-geral da Organização Internacional para as Migrações, Amy Pope, é preciso fortalecer a cooperação entre nações europeias, países de trânsito e de origem para proteger menores desacompanhados. Pope pediu ações para garantir direitos fundamentais e combater a atuação dos traficantes na região. Em entrevista, ela afirmou que “ações conjuntas são essenciais para segurança e proteção das crianças afetadas”.
O relatório informa ainda que 47% dos mais de 4.500 jovens ouvidos relataram ter sofrido violência física durante as viagens. Na rota do Mediterrâneo Central, 28% afirmaram ter sido detidos arbitrariamente ou mantidos em cativeiro e 17% relataram trabalho forçado, principalmente na Líbia. As agências da ONU pedem à União Europeia apoio jurídico, proibição de detenção de menores migrantes e opções seguras de recolocação.




