Da redação
A violência política registrada durante a campanha eleitoral de 2026 atingiu majoritariamente mulheres, conforme levantamento das organizações Terra de Direitos e Justiça Global. Foram apurados 134 casos até o primeiro turno, o que equivale a uma ocorrência a cada nove horas, sendo as mulheres vítimas em 52,2% dos episódios.
Entre os 102 casos direcionados exclusivamente a candidatas e candidatos, 58,8% tiveram mulheres como alvo, apesar de elas representarem cerca de um terço das candidaturas. O tipo de violência mais frequente foi ameaça, com 64 registros, seguida de 33 ofensas, 19 agressões físicas, 11 atentados, cinco casos de criminalização e dois assassinatos. As duas mortes envolveram um vereador e um secretário municipal.
Entre os episódios contra mulheres, 45 foram motivados por machismo ou misoginia, nove por racismo e cinco por transfobia. Nas ocorrências de violência simbólica, elas responderam por 61,9% das vítimas. A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) denunciou ameaças de morte e de violência sexual, ilustrando o quadro apontado pelo estudo. Todos os sete casos de ameaça de violência sexual tiveram mulheres como vítimas.
A coordenadora de Incidência Política da Terra de Direitos, Gisele Barbieri, afirmou que a violência política de gênero desqualifica e intimida as mulheres, destacando ainda a subnotificação dos casos. Segundo a pesquisa, o número de episódios deste ano supera o do primeiro turno de 2022, quando foram registrados 121 casos. Os estados com maior número de ocorrências foram São Paulo (16), Rio Grande do Norte (13), Minas Gerais (12) e Rio Grande do Sul (10).




