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Celso Amorim afirma que Escudo das Américas é cerco ao Brasil com justificativa falsa


Da redação

O assessor especial para assuntos internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Celso Amorim, afirmou que o Escudo das Américas, iniciativa de cooperação em segurança liderada pelos Estados Unidos sob Donald Trump, representa um cerco ao Brasil com base em um argumento falso de combate ao crime organizado. A declaração foi feita em entrevista ao canal Tutaméia TV no YouTube.

De acordo com Amorim, o programa trata o crime organizado como terrorismo internacional, o que justificaria sanções e ações intervencionistas na região. Ele disse que outros presidentes norte-americanos buscaram influência no Brasil, mas sem ameaça direta. “Agora sim nós sofremos ameaças”, afirmou Amorim. Segundo ele, a estratégia reflete um “esquema de dominação absoluta” e tem relação com a disputa dos EUA contra a China.

O governo federal se opôs à classificação de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais, ao argumentar que isso permitiria ações americanas em solo brasileiro e punições a empresas nacionais. Especialistas em segurança afirmaram que a medida modifica protocolos de cooperação existentes e prejudica o combate às facções. O Escudo das Américas prevê sanções, como restrições migratórias e bloqueio de bens, além do compartilhamento de inteligência e coordenação de operações.

A aliança, lançada em março na Flórida por Trump com presidentes de países alinhados à Casa Branca, inclui Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Trinidad e Tobago. Brasil e México, comandados por governos de esquerda, não participam.