Da redação
Integrantes do Partido dos Trabalhadores críticos à condução da campanha à reeleição já apontam como principal risco a confiança de que Luiz Inácio Lula da Silva será capaz de reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro no segundo turno, segundo relatos de bastidores. Para esses membros, a dependência das ações do ex-presidente adia mudanças consideradas necessárias.
O ex-senador e ex-presidente da Petrobras Jean-Paul Prates afirma que a absoluta confiança no poder pessoal de Lula dificulta a adoção de ajustes. Prates sustenta que há consenso na legenda de que é possível vencer a eleição mesmo após a desvantagem no primeiro turno, mas avalia que a vitória exige franqueza e menos busca por culpados.
De acordo com Prates, discutir falhas na comunicação é mais confortável do que debater como as decisões foram tomadas, quem não foi ouvido e as razões pelas quais o governo perdeu contato com antigos aliados. Segundo o ex-senador, o desgaste da campanha ultrapassa problemas de organização e há uma “sensação de círculo fechado, de pouca escuta e de repetição de personagens e argumentos”, afetando a relação com parte do eleitorado.
A campanha petista costuma se animar diante da conhecida capacidade de reação de Lula, mas persistem cobranças por mudanças reais. Prates defende a ampliação do espaço para outros integrantes, mais propostas para um eventual novo mandato, mudanças na equipe e maior presença nas redes sociais, mas ressalta que tais ações serão insuficientes caso perdure a centralização em torno de Lula.




