Da redação
O estado do Amazonas registrou 7.815 focos de incêndio entre 1º de janeiro e 12 de outubro, aumento de 116% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 3.611. De acordo com o Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), quase um terço desses focos ocorreu na região metropolitana de Manaus.
Os municípios de Autazes (313 focos), Itacoatiara (200), Careiro da Várzea (134) e Manacapuru (133) lideraram os registros próximos à capital. Na fronteira sul e sudeste, área mais desmatada do estado, destacaram-se Lábrea (379), Novo Aripuanã (311), Boca do Acre (298), Manicoré (153), Humaitá (118) e Apuí (95). Ane Alencar, diretora de Ciências do Instituto de Pesquisa da Amazônia (Ipam), afirmou que “grande parte dos focos está acontecendo em municípios ao longo do trecho da BR-319 que leva a Manaus. É claramente um processo de ocupação”.
O governo federal mobilizou 11 aeronaves e 290 brigadistas para reforçar o combate às queimadas. Segundo nota do Ministério do Meio Ambiente, há indícios de incêndios criminosos, devido à presença de focos no interior da mata. O governo estadual informou que mantém ações de prevenção e combate às queimadas desde fevereiro, apoiado por cerca de mil profissionais. O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas declarou ter atuado contra 21.690 incêndios desde junho.
O número deste ano está 12% abaixo da média histórica registrada pelo Inpe desde 1998 e 67% inferior ao total de 23.475 focos no mesmo intervalo de 2024, quando ocorreu uma seca sem precedentes na amazônia. Segundo Alencar, fatores como alertas públicos, atraso do período seco e aumento do efetivo de brigadas podem ter contribuído para a redução. Ela destacou que “a amazônia não pega fogo sozinha” e avaliou que períodos eleitorais e sinais políticos podem influenciar o controle ambiental.




