Da redação
Neste fim de semana, o Tribunal Administrativo de Lisboa autorizou a permanência da ocupação da Praça do Rossio. As manifestações contra o custo da moradia começaram há três semanas no Porto, com tendas em uma praça, e chegaram à capital portuguesa.
Na capital, a polícia realizou operações para desmontar as tendas, alegando ocupação ilegal de área pública. Relatos nas redes sociais e de parlamentares apontaram ferimentos entre manifestantes. Comerciantes temem impactos no comércio e no mercado de Natal previsto para o Rossio a partir de 14 de novembro.
A Pordata, portal da Fundação Francisco Manuel dos Santos, registra alta de 41,5% no custo da habitação em Portugal entre 2020 e 2025, ante média de 3,2% na União Europeia. Em Lisboa, o aluguel médio corresponde a 116% do salário médio, a maior proporção entre 22 cidades analisadas por um relatório europeu.
Priscila Valadão, ativista brasileira e porta-voz das acampadas, vive em Portugal há 12 anos. Ela relata que um apartamento T0, tipo loft, no centro de Lisboa custa ao menos 1.500 euros, diante do salário mínimo de 920 euros, e diz: “Eu tenho que dividir casa porque não tenho condição de pagar uma casa sozinha.”
Manifestantes criticam a revisão da lei do arrendamento, que prevê prazos menores para despejos, reajustes sem o limite de 2% e cauções maiores. Pedem mais habitação pública e uso de imóveis vazios. O governo, liderado por Luís Montenegro, anunciou 10 bilhões de euros em investimentos e a construção de 133 mil moradias.




